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A invasão das maquininhas

Nos últimos tempos, um mercado bilionário está se formando no Brasil e atrai cada vez mais competidores: o de pagamentos por celular. Na mira, estão mais de 15 milhões de profissionais liberais e autônomos, como advogados, contadores e taxistas, além de quase seis milhões de microempresas. As transações via celular foram regulamentadas pelo Banco Central no fim de 2013 e mal começaram a ser exploradas. Atualmente, apenas 250 mil pessoas e microempresas as utilizam, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços.

Crédito ou débito?: Adriana Barbosa, da Payleven, aproveita para fazer convênios com outras empresas do grupo alemão Rocket
Crédito ou débito?: Adriana Barbosa, da Payleven, aproveita para fazer convênios com outras empresas do grupo alemão Rocket ( foto: Claudio Gatti)

Nos Estados Unidos, onde essa tecnologia está disponível há quatro anos, os celulares devem processar mais de US$ 2,5 bilhões em pagamentos neste ano, segundo a consultoria eMarketer. Para o mercado americano, trata-se de um número modesto, mas a curva de crescimento prevista é acentuada: em 2018, a cifra deve bater em US$ 58 bilhões. São esses números que esquentam a corrida pelo mercado brasileiro. Um exemplo é a Payleven, controlada pelo grupo alemão Rocket Internet, que deve lançar uma versão mais moderna de seu dispositivo em setembro.

Em comum com todos os concorrentes, seu aparelho se pluga ao celular e utiliza a internet para processar as transações. Outra estratégia foi unir forças com empresas nas quais a Rocket também investe. Um exemplo é o aplicativo Easy Taxi, com quem fechou um convênio. Chamada de “in-app”, a solução permite que softwares para celulares façam cobranças. Apesar de hoje atender, sobretudo, um público que não teria acesso aos serviços tradicionais da Cielo e da Redecard, que dominam o mercado de pagamentos por máquinas no varejo, a diretora da Payleven no Brasil, Adriana Barbosa, não descarta um confronto direto com essas rivais no longo prazo. “Há um grande potencial disruptivo nessa tecnologia”, diz.

Outra empresa alemã, a Sumup, também já traçou sua estratégia e conta com sócios como o banco espanhol BBVA, o site de compras coletivas Groupon e o cartão de crédito American Express. Como a taxa cobrada dos clientes por operação é pequena, a empresa simplifica a navegação no software que processa as transações no celular, a fim de cortar custos com serviços de apoio. Para isso, inspira-se numa gigante do e-commerce. “Queremos ser a Amazon desse segmento”, afirma Igor Marchesini, diretor da Sumup no Brasil, referindo-se ao conceito de “loja de tudo” da empresa de Jeff Bezos, na qual o incentivo ao autosserviço é fundamental para garantir o lucro do negócio.

A sueca iZettle é outra que desembarcou no País, com o apoio do Santander, que controla 50% de sua operação local. “A aliança com um banco tradicional nos dá mais credibilidade”, afirma Anders Norinder, diretor-geral da iZettle do Brasil, cuja operação começou há dez meses. O Brasil é o país com maior potencial de desenvolvimento, entre os nove em que opera, segundo Norinder. Não são apenas as estrangeiras que brigam por esse mercado. O PagSeguro, do UOL, nasceu em 2006 como uma ferramenta para pagamentos de e-commerce.

Agora, sua missão foi ampliada para processar também transações por celular. “É uma evolução natural atender transações online, sejam elas presenciais ou não”, afirma Marcelo Epstejn, CEO do UOL. Atualmente, o PagSeguro revela ter 300 mil usuários vendedores e 30 milhões de pagadores em seus serviços – pela internet ou por celular. Com um potencial de negócios bilionários no horizonte, não será fácil fazer as empresas de pagamento móvel se desgrudarem dos celulares de microempresários e profissionais liberais.

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