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Rivais afiam as presas após compra da WhatsApp pelo Facebook

Como todo terremoto, a compra do WhatsApp pelo Facebook por US$ 19 bilhões foi seguido na semana passada por choques secundários. O epicentro desse fenômeno, também chamado de réplica na geologia, se deu no Brasil. O Viber, aplicativo de mensagens incorporado pela japonesa Rakuten por US$ 900 milhões alguns dias antes da aquisição do WhatsApp, resolveu oferecer ligações gratuitas para qualquer telefone fixo no País. “Iríamos fazer a promoção em março, mas resolvemos antecipar em razão dos resultados expressivos que tivemos nos últimos dias”, afirma Luiz Felipe Barros, diretor do Viber no Brasil. 
 
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Agressividade: Viber, comandado no Brasil por Luiz Felipe Barros,
liberou ligações para telefones fixos do Brasil 
 
Ação similar foi feita no final do ano passado para ajudar as vítimas de um furacão que vitimou milhares de pessoas nas Filipinas. No entanto, como ferramenta de marketing, é a primeira vez. Em três dias, as ligações grátis somaram 7 milhões de minutos. A empresa diz ter atingido a marca de 1,5 milhões de downloads em uma semana. "Somando as lojas virtuais de todos os sistemas, viramos o app de mensagens mais baixado do Brasil", diz Barros.
 
O crescimento em parte motivado por uma cochilada do WhatsApp, o líder do segmento. No primeiro final de semana sob nova direção, o aplicativo, criado pelo ucraniano Jan Koum e pelo americano Brian Acton, ficou fora do ar por quatro horas. Foi a deixa para a concorrência avançar. Além do Viber, Line (do Japão), Telegram (da Rússia), WeChat (da China) e Kakao Talk (da Coreia do Sul) tiveram crescimento. 
 
Só o Telegram recebeu cinco milhões de novos usuários durante o bug, o que comprometeu a estrutura do aplicativo. Contatos começaram a aparecer aleatoriamente na lista de outros usuários na quinta-feira 20. “Recebi uma ligação de madrugada de um número desconhecido”, disse uma usuária brasileira que prefere não se identificar. O Telegram, que se posiciona como um app que protege a privacidade de seus usuários, mandou pedidos de desculpas. “Tentamos melhorar nossa sincronização de contatos e acabamos quebrando o sistema.” De acordo com a empresa, a situação foi normalizada. Outro empurrão foi dado pelas declarações de Koum na Mobile World Congress, evento de telefonia móvel que ocorre anualmente em Barcelona, na Espanha. 
 
“Vamos introduzir voz no WhatsApp no segundo trimestre deste ano”, disse Koum, jogando luz sobre um recurso que a maioria de seus concorrentes já tem – e o Viber deixou bem claro no Brasil. Após tomar de assalto o mercado de SMS, os apps também querem tirar uma casquinha das operadoras de telefonia nas ligações. Além da voz, os aplicativos tratam de conquistar usuários somando recursos, como a formação de uma espécie de rede social em torno das mensagens. Ao contrário das postagens abertas a todos os contatos – típicas do Facebook –, é premissa dessa nova onda estimular que o usuário monte um grupo de contatos que vai receber a mensagem antes de escrever. 
 
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Voz é o caminho: o fundador do WhatsApp, o ucraniano Jan Koum,
anunciou, em evento em Barcelona, que vai oferecer serviços por voz
 
Essa tendência também explica em parte o alto valor pago pelo WhatsApp – o Facebook poderia perder a supremacia das redes sociais caso um desses aplicativos se consolidasse. O primeiro concorrente a saltar à frente nessa corrida é o WeChat, da Tencent, uma das maiores provedoras chinesas de internet. O app, que passou dos 100 milhões de downloads fora da China, começou a oferecer jogos, notificações especiais para usuários mencionados em chats de grupos e compartilhamento de localização, entre outros recursos. Em sua terra natal, o cardápio é ainda mais amplo. 
 
Provê desde funções conhecidas, como meio de pagamento online, até um curioso serviço de localização de amigos, que pode ser acionado pelo usuário ao balançar o telefone – a tecnologia é particularmente efetiva em ambientes cheios. Outra mania do Oriente é vista como peça-chave desse segmento: os stickers, figurinhas que podem ser trocadas entre usuários. O Viber lançou um pacote de Carnaval especialmente desenvolvido para o Brasil, mas quem tomou a dianteira nessa área foi o japonês Line. Agora, qualquer designer pode vender seu próprio pacote de stickers, dividindo o lucro com a empresa. Por mais que o recurso possa parecer prosaico em um primeiro momento, a estratégia do Line nessa área já teria chamado a atenção de gigantes. 
 
Circulam rumores de que o Softbank, uma das maiores operadoras de internet do Japão, estaria interessado em comprar uma participação na empresa, avaliada em US$ 14 bilhões. Grandes cifras também estão nas mesas de negociação da Coreia do Sul. A Kakao Corp, dona do app homônimo de mensagens e com um grande leque de jogos, está perto de assinar contrato com o banco de investimentos Morgan Stanley e com a Samsung Securities para assessorá-la em seu IPO na bolsa de Seul. Segundo o The Wall Street Journal, a empresa espera arrecadar mais de US$ 1 bilhão – essa seria a maior oferta pública na Coreia desde maio de 2010, quando o braço de seguros da Sam­sung arrecadou US$ 4,6 bilhões. Números que, agora o mercado sabe, cabem nas mensagens de texto.
 
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